Annex - Chaplin, Charlie (Modern Times)_04

Entre criadores e criaturas

Por Diogo Rossi Ambiel Facini

       É notório que Charles Chaplin foi extremamente influente ao longo da história do cinema. O ator/diretor ajudou a desenvolver e a estabelecer algumas das principais características da sétima arte. No entanto, sua marca foi além: ao longo do tempo, ela foi se manifestando na obra de outros criadores. Conforme o cinema ia avançando, novas e novas gerações se apropriavam de algo do criador de Carlitos, e também iam, ao seu modo, abrindo novos caminhos e possibilidades para o cinema. Outro ponto importante dessa presença é a sua extensão: Chaplin influenciou de gregos a troianos, ou no caso do cinema, de clássicos a modernos, cada um estabelecendo um diálogo diferente com os seus filmes.

      Porém, antes de influenciar, Chaplin também foi influenciado. Essa influência na obra do pai de Carlitos pode ser encontrada desde em elementos mais gerais, como em alguns elementos do personagem, até em elementos mais específicos, como em temas e ideias para seus filmes. E é aqui que este texto efetivamente começa. Uma obra específica influenciou significativamente um dos filmes mais importantes de Chaplin. Essa influência é notória e polêmica, já que levou até mesmo a um processo de plágio. Trata-se de um fato conhecido, que pode ser consultado nas principais biografias sobre o diretor inglês. Como ocorreu essa influência? Em que elementos do filme de Chaplin ela pode observada? São essas questões que tentarei discutir nas próximas linhas. Os filmes? A nós a liberdade e Tempos Modernos.

Pôster de “A nós a liberdade”

            A nós a liberdade (À nous la liberté) é um filme de 1931, dirigido pelo francês René Clair. Trata-se de uma comédia com alguns números musicais, algo comum nessa época inicial do cinema sonoro/falado. A obra traz dois personagens principais, Émile e Louis. Ambos estão inicialmente presos, mas logo executam um plano de fuga. Infelizmente seu plano não dá tão certo, e Émile acaba por sacrificar suas possibilidades de fuga para que o amigo consiga escapar. Com isso, somente Louis foge da prisão. Enquanto Émile estava preso, Louis tinha conseguido manter sua identidade de fugitivo oculta; iniciou um negócio de discos, e agora era um rico e poderoso dono de uma fábrica de vitrolas. Quando Émile é solto da prisão, uma parte desse passado não tão “respeitável” de Louis volta à tona, e muitas confusões e fatos cômicos ocorrem…

Émile e Louis, em “A nós a liberdade”

           Até aqui tudo bem. Mas onde está a influência sobre o filme de Chaplin?

       Em primeiro lugar, ela pode ser observada em um sentido mais amplo, relacionado a alguns temas mais gerais que permeiam a obra. Em A nós a liberdade está presente a questão do controle dos indivíduos, primeiro na prisão, depois no trabalho na fábrica. O filme lida com os impactos trazidos com a modernidade, uma modernidade que tende a pensar cada vez mais em um aumento de produtividade a qualquer custo. O título da obra não é sem razão: de forma leve e cômica, o filme apresenta a luta de alguns indivíduos para sobreviverem nessa então nova sociedade, que tendia a diluir cada vez mais as identidades em favor de uma massa de trabalhadores.

A vida na prisão, em “A nós a liberdade”

            No entanto, a influência mais notável de A nós a liberdade (que talvez tenha sido a maior justificativa para a acusação de plágio) pode ser observada não nesses aspectos mais amplos do filme, mas sim em alguns momentos específicos, que podem ter fornecido ideias para algumas situações cômicas de Tempos Modernos. Principalmente em duas sequências, que apresentam de algum modo as configurações do trabalho dessa nova etapa do capitalismo: primeiramente a sequência da prisão, que mostra os detentos “fabricando” brinquedos, mas o destaque de fato deve ir para a segunda sequência, na fábrica de vitrolas; principalmente uma pequena cena, que deixou explicitamente as suas marcas em Tempos Modernos.

A linha de montagem em “A nós a liberdade”

          Nessa sequência temos uma linha de montagem na produção das vitrolas: cada trabalhador, disposto em sequência, deve efetuar uma função bastante específica repetidamente, o que, no conjunto das atividades, formaria o produto final. Lembrou-se de algo? Bom, até aí não podemos fazer grandes afirmações, já que se trata da descrição de uma linha de montagem, e outros filmes podem fazer uso desse “espaço” fílmico. No entanto, a influência começa no enquadramento da câmera, que captura os personagens de um ângulo relativamente parecido; além disso, em ambas as produções ela se movimenta lateralmente para captar a continuidade da linha de montagem. E a influência é mais clara ainda no desenrolar das ações. O personagem Émile é o primeiro trabalhador da “fila” de produção. As peças seguem em um fluxo constante, o que o obriga a agir rapidamente. Mas Émile se distrai, o que faz com que corra para a posição seguinte, onde está outro operário; este por sua vez, devido ao ocorrido, corre ao companheiro do lado, juntamente com Émile, já que também havia perdido o tempo de ação. O companheiro do lado também se atrasa, e assim vão todos os trabalhadores, como em uma bola de neve, tentando recuperar o tempo (e o serviço) perdido, até se juntarem em uma massa confusa e desesperada ao fim da linha. Aqui pode ser estabelecida uma relação direta com uma das cenas de abertura de Tempos Modernos. Carlitos, não conseguindo realizar o seu trabalho no tempo previsto, corre atrás das peças, atrapalhando os outros trabalhadores, e sendo, ao fim, “engolido” pela máquina.

A linha de montagem em “Tempos Modernos”

            Mesmo que haja essa relação clara entre as sequências de A Nós a Liberdade e Tempos Modernos, devemos destacar que Chaplin trabalha essa influência, introduzindo características e desenvolvimentos próprios no seu filme. Primeiramente, o diretor centra mais a cena do seu filme na individualidade de Carlitos, ao contrário do que ocorre na obra francesa, que envolve os trabalhadores em um conjunto. Além disso, Chaplin leva o “atraso” na linha de montagem a uma conclusão mais radical, já que o personagem está tão imerso no mundo da produção que é devorado por ele, na memorável cena em que Carlitos passa pelas engrenagens da máquina, um dos momentos mais lembrados de sua filmografia. Chaplin discute a relação entre homem e máquina, assim como os efeitos dessa nova forma do capitalismo industrial, de maneira mais crítica e mordaz do que em A nós a liberdade, filme que traz inclusive uma conclusão mais apaziguadora nesse sentido, mostrando um mundo em que as máquinas servem e ajudam os trabalhadores. Além disso, mesmo essa temática da luta pela sobrevivência em uma nova sociedade é desenvolvida de modo distinto nos dois filmes: na obra de Chaplin as questões são colocadas de maneira mais explícita, o que inclui as menções à quebra da Bolsa de Valores de Nova York de 1929 e ao desemprego generalizado que caracterizava os Estados Unidos da época.

Em “A nós a liberdade”, Émile é forçado a trabalhar para não ir preso por vagabundagem

            O que talvez seja mais interessante nessa questão, algo que ajuda a compreender melhor esse fenômeno das influências, é que as relações entre as obras dos dois autores também se deram em sentido inverso. Em outras palavras: a obra de Charles Chaplin influenciou significativamente o filme A nós a liberdade. Que René Clair era admirador de Chaplin é fato conhecido. No entanto, podemos ir um passo além e observar em que medida essa influência de Chaplin ocorreu nessa obra de Clair, ou seja, como o filme que influenciou Chaplin foi antes influenciado por ele.

Os efeitos do trabalho são mais nocivos em “Tempos Modernos”

           Podemos dizer que essa influência, agora de Chaplin sobre Clair, se manifesta principalmente em três elementos.

           Em primeiro lugar, devemos constatar que a presença de temas sociais e políticos na obra de Chaplin, ou, em outros termos, a mistura de temas considerados “sérios” com o discurso cômico, não surgiu no filme Tempos Modernos. Ela aparece explicitamente em outras obras anteriores relevantes do cineasta, como O Imigrante, Ombro, Armas e Em Busca do Ouro, e indiretamente em praticamente todas as suas produções. Desse modo, é bem provável que essa temática política de A nós a liberdade apresente relações diretas com a obra anterior do pai de Carlitos.

Carlitos sofre com as máquinas

         Além disso, há no filme francês uma forte presença da comédia pastelão (slapstick), caracterizado principalmente pelas perseguições e correrias. Está certo que esse tipo de comédia não é exclusivo de Chaplin e que ele não o inventou, mas em alguns gestos a proximidade é mais clara. Podemos citar o famoso chute no traseiro, que também não é exclusivo de Chaplin, mas que é fortemente identificado com o seu trabalho, principalmente nos seus curtas e médias-metragens. É curioso observar que esse filme é, em muitos momentos, silencioso; fora as eventuais canções, a obra apresenta poucas falas. De um modo geral, o humor do filme é quase que totalmente visual.

Louis às vezes se cansa de sua nova vida, em “A nós a liberdade”

         E por fim, a maior criação de Chaplin também não passaria despercebida. Carlitos exerce grande influência principalmente na construção e caracterização do personagem Émile. É difícil reunir em poucas palavras o que seria o adjetivo chapliniano, mas muito do que se refere a ele está presente aqui, formando o personagem: uma mistura de esperteza e inocência; uma preocupação quase única com o instante, que leva a atitudes heróicas ou absurdas, tudo ao mesmo tempo; um sentir-se deslocado do mundo, mas sempre correr atrás dele; uma paixão pela vida, que leva a um enfrentamento das adversidades… E por aí vai, mas talvez só assistindo para compreender.

O lado “vagabundo” de Émile, em “A nós a liberdade”

        Chaplin se alimenta de Clair. Clair se alimenta de Chaplin. Que se alimenta de Clair. Que se alimenta de Chaplin. Nesse banquete de influências e diálogos, a que conclusões podemos chegar? Talvez não muitas, mas talvez esse nem seja o objetivo mesmo. De qualquer modo, podemos notar que, além de discussões jurídicas, além de intrigas e polêmicas, temos o cinema. O cinema que se faz, se renova, dialoga com a sua história e com os seus criadores. O cinema que é feito de filmes, que são feitos de outros filmes, que são feitos de outros filmes. Fora isso, talvez não haja mais nada. Ou, quem sabe, haja ainda mais filmes.

Annex - Goddard, Paulette (Modern Times)_mulheres magras tambem sao fofas Carlos Kurare

A questão de gênero no filme Tempos Modernos (Chaplin, 1936)

Por Everton Luís Sanches (Professor e Doutor em História)

O filme Tempos Modernos (Chaplin,1936) é bastante lembrado tendo em vista o sistema produtivo em série, a linha de montagem, além de reflexões sobre a economia capitalista, a crise de 1929 e a mecanização envolvendo o ser humano de maneira a afastá-lo das condições básicas que permitem que ele seja humanizado. Contudo, podemos considerar também nesse filme a condição do homem e da mulher no tempo de sua produção e compararmos com os dias de hoje. Um modo diferente de assistir ao filme é sob a perspectiva das relações de gênero estabelecidas dentro de sua narrativa. Nesse caminho, podemos analisar as seguintes questões: como o filme trata o homem e sua legitimidade (atributos que lhe conferem respeito) na sociedade? E a mulher? Como ela se relaciona com o contexto descrito no filme? Como ela se afirma enquanto ser humano?

Tendo em vista uma abordagem rápida, gostaria de destacar do filme o trecho que vai da saída de Carlitos do hospital (18 minutos de filme aproximadamente) até a sua fuga da polícia junto de uma jovem órfã (40 minutos e 20 segundos de filme). Nesse ínterim, uma sequência inicial curta demonstra a cidade fora de seu eixo e Chaplin caminhando em frente à entrada de seu antigo trabalho, agora de portas fechadas.

Na continuidade, Carlitos é confundido com um líder agitador ao tentar devolver a bandeira de sinalização que caiu de um caminhão em movimento e acaba sendo preso pela polícia.

Outra personagem é apresentada na sequencia seguinte: uma garota que “luta contra a fome” e está a roubar bananas no cais. A garota leva um cacho de bananas para suas duas irmãs em casa, quando seu pai, que está desempregado, chega. A expressão do pai é mostrada em close, abatido, cansado. Ao receber as bananas que sua filha roubara tenta censurá-la, mas não consegue diante da necessidade de comida.

Na prisão, Carlitos tenta lidar com a vida no cárcere e, atrapalhada e inadvertidamente,consegue dissuadir uma rebelião.

Fora da prisão, em meio a uma confusão, o pai da garota apresentada anteriormente é assassinado, deixando suas três filhas órfãs.  Entregues ao estado, a garota abandona as irmãs mais jovens e foge das autoridades.

Carlitos, preso, após sua prova de hombridade ganha a confiança dos carcereiros, que passam a conviver amigavelmente com ele. Não obstante, sua soltura é ordenada e ele é chamado para ser liberado. Sendo encaminhado até a sala do delegado, ele é convidado a sentar-se e tomar um chá, porém é interrompido pela chegada do Pastor, sua esposa e o cão dela. Desse modo, enquanto o pastor faz sua visita semanal aos presos sua esposa, o cachorro dela e Carlitos esperam sentados pela liberdade. Nesse cenário, tomar o chá é o único recurso para distrair a condição incômoda em que se encontram. Todavia, o chá causa desarranjo estomacal nos dois humanos, atraindo a atenção do cachorro, que é o único que se manifesta – aos latidos – e por isso acaba sendo condenado a deixar o banco em que estava sentado e ficar no chão.

Depois que o Pastor e sua esposa deixam a prisão, a notícia de soltura é dada a Carlitos, que não a recebe bem e pede para continuar na prisão, o que não é permitido. Então, o delegado lhe oferece uma carta de recomendação, para facilitar a busca de um emprego. Carlitos até tenta encontrar um emprego, mas não se sai bem no exercício de suas funções e por isso decide voltar para a prisão.

 

Na sequencia seguinte Carlitos encontra acidentalmente a garota órfã que, faminta, havia sido pega furtando um pão (denunciada por uma mulher que a flagrou roubando um padeiro).

Carlitos, que estava disposto a voltar para a prisão assume diante da polícia a responsabilidade pelo furto, porém logo a mulher insiste em sua denúncia à garota, de modo que a polícia deixa Carlitos livre e vai à busca da órfã.

Enquanto a órfã é presa Carlitos procura criar outro motivo para ser preso, indo a um restaurante e fartando-se, mesmo sem ter dinheiro para pagar. Por esse motivo, consegue ser preso novamente.

Ambos encontram-se, posteriormente, no carro da polícia e vivenciam um acidente de trânsito. Como consequência do acidente, eles têm a possibilidade de escapar. Carlitos hesita, mas diante da dissuasão da garota, acaba aceitando o convite para a liberdade.

Retomando os questionamentos iniciais, temos nesse trecho do filme, primeiramente, a questão do trabalho como atributo de legitimidade para o homem. Tanto Carlitos quanto o pai da garota perdem sua dignidade diante da sociedade na medida em que não estão devidamente empregados de modo que não possam prover a si mesmos, nem à família. No que diz respeito à figura feminina, a garota ao ficar órfã também perde de maneira definitiva o fator que a legitimava, uma vez que a figura masculina não está mais ao seu lado (ela possui apenas duas irmãs mais novas). A sequencia em que o pastor visita a delegacia também é bastante significativa. Ele é um religioso e pai de família (dois atributos de respeito na sociedade), estando acompanhado de sua esposa e levando a palavra (a bíblia) aos detentos. Sua esposa, por sua vez, não possui nenhuma função objetiva, mas apenas a função social de acompanhar o seu marido. Nesse cenário o cão também é um personagem fundamental: já que a esposa ficaria do lado de fora, esperando que o marido fizesse a sua pregação, então ela leva uma companhia fiel que se senta ao seu lado (o cachorro). A presença de Carlitos com ela na sala de espera acrescenta um dilema, pois ele era um detento com quem uma mulher de respeito como ela não deveria conversar – mas o cão não sabe disso. As manifestações do cão forçam certa interação entre a esposa do pastor e Carlitos, porém ela se manifesta pondo o cachorro em seu devido lugar (no chão). A mulher, o detento e o cachorro, por alguns instantes se veem na mesma situação, ou seja, à espera do homem da lei (delegado) e do homem de Deus (o pastor).

Outra mulher defende o seu lugar na sociedade: a senhora que denuncia ao policial o furto do pão realizado pela órfã. Sua insistência na denúncia, mesmo depois de Carlitos ter assumido a responsabilidade pelo furto, pode ser considerada uma afirmação de sua posição idônea em oposição à “desonestidade” da garota órfã, como um ato de decência de uma mulher diante da indecência de uma garota “perdida”. Assim, a forma de se afirmar na sociedade passa a ser a acusação e afirmação de uma posição inferior de outrem. Trata-se da negação da condição de miséria da própria sociedade, tendo em vista as virtudes da lei e da ordem e a atribuição de culpa àqueles e aquelasque não conseguem se adequar a esses códigos.

Finalizando, temos a própria órfã solicitando a presença de Carlitos junto dela, ao fugir da polícia. Temos aqui uma dupla mensagem: se de um lado podemos considerar entre os dois um vínculo de solidariedade, ou mesmo um possível flerte, de outro lado ambos precisam um do outro, já que o respeito à mulher é vinculado à presença de um homem provedor ao seu lado; igualmente,para que o homem seja considerado digno, ele precisa tomar a frente de uma família, o que o faz merecer – desde que apresente uma carta de recomendação – uma vaga de emprego, que é outro atributo de respeitabilidade.

P.S.: Este texto é um resumo da palestra realizada na Sede do CLARETIANO – Centro Universitário, na cidade de Batatais-SP, no dia 30 de julho de 2015, das 19h20 às 20h50.

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The Freak: o filme inacabado de Charlie Chaplin

Charles Chaplin tinha mesmo uma mente bastante inventiva. Até os seus últimos dias, concentrou-se na elaboração de roteiros e ideias para novos filmes. O cinema sempre foi a sua paixão.
O escritor e cineasta suíço, Pierre Smolik, teve acesso ao que seria o próximo trabalho de Chaplin, após Condessa de Hong Kong, que foi o seu último filme da carreira.
The Freak, conta a história de uma mulher-pássaro, capturada para ser exibida em Londres, como raridade. Trata-se de um conto de fadas, cômico, é verdade, mas com um final dramático (típico do cinema chapliniano).

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Essa foi apenas uma ideia, pois nunca tornou-se um roteiro completo, mas possui diversos detalhes dos bastidores: cenários, diálogos e várias anotações de Chaplin. Todo esse material foi encontrado entre os documentos da família Chaplin, sendo organizado e editado, transformando-se em um livro: “The Freak, o último Filme de Chaplin”. O livro tem edição francesa e inglesa, pela editora Call Me Edouard.

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Capa do livro 

Muitos fatos inéditos são revelados no livro, como a atriz cogitada para protagonizar a história: Victoria, filhe de Charlie Chaplin, nos seus 18 anos de idade. Segundo o autor do livro, a família ainda guarda as asas com penas de cisnes, a sete chaves.

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Chaplin chegou a realizar alguns ensaios com Victoria

Em declaração à AFP, Michael Chaplin, filho de Charlie, revelou que havia lido o argumento pouco antes do pai escrever e relatou que era “um conto de fadas magnífico. Um sonho muito bonito”. Além disso, Michael disse que a história deste filme tem sido uma espécie de segredo de família. “A família protegeu o argumento. Não queríamos que caísse noutras mãos”, acrescenta. Conta que foi em 2010 que Pierre Smolik, conhecido da família, pediu acesso à documentação de Chaplin. Começava assim a aventura de contar esta história.

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Michael Chaplin. Fonte: AFP

Chaplin escreveu a sinopse da história em 1969, tinha 80 anos. Trabalhou no projeto nos dois anos seguintes, em sua casa, em Vevey, na Suíça. Fez as asas e chegou até a fazer alguns ensaios com Victoria, num estúdio no Reino Unido. Mas o filme, que contava a história de uma mulher olhada como aberração, devido às suas grandes asas, acabou não sendo concluído.

Seguindo o estilo chapliniano de fazer filimes, The Freak dividia-se entre o gênero comédia e drama. Uma mulher, com asas de pássaro, caía no telhado de um escritor que vivia no Chile. Ele a encontrava, a alimentava e dava-lhe o nome de Sarapha. Assim, a sua casa logo tornava-se um centro de peregrinação, tomado por pessoas curiosas em ver a “mulher-anjo”, que ficou famosa por fazer milagres e curar doenças. Até que um dia Sarapha era sequestrada e levada para Londres, onde seria exposta perante o público, sedento em ver seus milagres. Não aguentando a vida que levava, Sarapha fugia, pois o seu maior sonho era voltar para o Chile, reencontrar aquele que a acolheu e lhe trouxe a felicidade. No entanto, ao regressar, ocorria um acidente e ela caía no Atlãntico, onde morria.033a0fe47c57f6d4b159f40829c4916aaf06042f

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Pierre Smolik experimenta as asas de pena de cisne, que seriam utilizadas no filme.

Em Abril deste ano, na ocasião da inauguração do Museu dedicado à obra de Charlie Chaplin, alguns dos materiais que a família disponibilizou a Pierre Smolik, entre as quais as asas da mulher-pássaro que nunca chegou ao cinema, vão ser expostos.

Referência