Mês: dezembro 2009

Suíça terá museu sobre Charles Chaplin

Mansão onde viveu a família Chaplin, em Vevey, Suíça.

Mansão onde viveu a família Chaplin, em Vevey, Suíça.

O conceito é ambicioso e se chamará “Chaplin’s World”. O museu será instalado na residência em que a família Chaplin morou.

“Estou muito feliz pelo fato da ideia estar quase dando certo”, disse Michael Chaplin, presidente da Fundação Charles Chaplin, na segunda-feira (24/11), na apresentação do projeto definitivo do museu em homenagem ao seu pai.

A fundação e a Chaplin Museum Development SA convidou a imprensa para uma visita à propriedade em que viveu Sir Charles Spencer Chaplin e sua numerosa família, de 1953 até sua morte, no Natal de 1977.

O promotores anunciaram que o pedido de permissão para construir o museu foi apresentado em 21 de novembro e que a autorização deve sair em janeiro ou fevereiro do ano que vem.

“Se tudo correr bem e não houver oposição, a construção vai começar em junho de 2010 e o museu será aberto dois anos depois”, precisa o arquiteto Philippe Meylan, responsável do projeto.

Passaram-se quase dez anos para que esse projeto ambicioso se concretizasse, um percurso cheio de obstáculos, como recursos na Justiça, oposições, dificuldades financeiras e polêmicas.

Aproveitando a “reta final de procedimentos públicos”, segundo as palavras do prefeito do vilarejo de Corsier-sur-Vevey, onde está a propriedade da família Chaplin e onde deverá funcionar o futuro museu, o projeto final foi apresentado.

Oona e Charlie, em frente à mansão.

Oona e Charlie, em frente à mansão.

“Museu dos tempos modernos”


Resumindo, a propriedade do século XIX será reformada para que os visitantes “revivam a intimidade dessa família mítica” e seus visitantes célebres – até Michael Jackson dormiu na garagem.

Os jardins também serão reformados e será construída uma ala de exposições (55 x 17 metros) inteiramente dedicada à obra cinematográfica de Chaplin. Haverá ainda uma loja, um bar, uma sala de teatro com 200 lugares, um estacionamento, uma linha de ônibus, uma via de acesso para pedestres e uma ciclovia, para que cada um possa escolher seu modo de chegar até o museu.

Os custos do projeto são avaliados em mais de 50 milhões de francos (15 milhões para a cenografia do museu). A vista é gratuita para os jardins, o lago Léman e os Alpes franceses. “É uma das mais belas paisagens da região”, diz Philippe Meylan. O local fica ainda bem perto das vinhas do Lavaux, tombadas como Patrimônio Mundial da Unesco.

Os Chaplin, como esses dois irmãos, são uma uma família com muitas histórias.
Os Chaplin

Clooney, Alinghi et Chaplin


Philippe Meylan e seu parceiro, o museólogo canadense Yves Durand, explicaram que a denominação Museu Charles Chaplin foi substituída por “Chaplin’s World, The Modern Times Museum”, como forma de manter a dimensão universal da obra de Chaplin.

Apoiando-se em uma citação do próprio Chaplin, “sou um cidadão do mundo”, os promotores dizem que querem fazer “mais do que um museu”, no limite entre os universos do divertimento e da cultura, sensível à linguagem das crianças e das famílias do novo século. Para isso, vão utilizar as novas tecnologias, associando cenografia, multimídia, imagens tridimensionais e de alta definição, acústica de última geração, efeitos especiais, virtualidade e cinematografia.

Com a sede mundial situada na mesma região, a Nestlé vai financiar parte do projeto (as cifras não foram reveladas) e seu logotipo será bem visível, com sua marca Nespresso, divuldada pelo ator George Clooney. Outro patrocinador será a Alingh, a equipe de vela atualmente campeã da tradicional Copa da América.

Roland Decorvet, diretor-geral da Nestlé Suíça proclamou sua fé “nesse projeto inovador de dimensões internacionais”, essa “atração que Vevey aguardava há muito tempo.”

Um dos cômodos da casa

Um dos cômodos da casa

Um dever de excelência


Mas os museólogos apaziguam as primeiras inquietudes. “A personalidade de Chaplin nos impõe um dever de excelência e de inovação para sermos dignos do homem, do artista, do cineasta, do cidadão”, disse Yves Durant. “É um desafio exigente e esperamos estar à altura. Não vamos falar em seu lugar, porque o que conta é lhe dar a palavra, suas imagens, sua música, sua obra excepcional e autossuficiente por sua universalidade. Temos arquivos para fazer exposições temporárias por no mínimo 20 anos, sempre renovando”, explica Durant.

Para elaborar o conceito cenográfico, Yves Durant teve a colaboração de François Confino, um homem de renome internacional.

O francês, que já trabalhou em grandes projetos, se diz “extremamente intimidado”. Trata-se de “não ultrapassar a realidade ou a ficção e mostrar Charles Chaplin em sua autenticidade. Nós recusamos fazer uma Disneilândia com o personagem, simplesmente queremos homenageá-lo.”

Lembrar o homem


“O projeto visa, portanto, lembrar o homem, sua família, seu trabalho, sua relação humanista com o mundo e seus amigos. Gostaríamos que o visitante viesse como um convidado do dono da casa”, explica, acrescentando que a família Chaplin insistiu para que o pai não fosse tratado como uma “estrela”. As pessoas deverão sentir aqui “a presença física de Chaplin.”

Com relação ao novo espaço a ser criado, será “um percurso de 2 mil metros consagrado à obra cinematográfica, onde o visitante poderá entrar no mundo do cinema. É muito acrobático, mas difícil porque é preciso evitar o kitsch.”

E a família, não vai perder suas raízes? Michael Chaplin acha que não. “Eu sempre pensei que essa casa deveria pertencer a todos os que admiravam meu pai. Eu e meu irmão retomamos a casa depois da morte de nossa mãe e nossos filhos viveram o mesmo paraíso que nós. Mas nossos filhos cresceram e as despesas da casa eram muito onerosas”, afirma.

Ele acha que o conceito museográfico “tornará o lugar ainda mais mágico e atual o encontro das crianças de hoje com a obra de luz e sombra tão característica de nosso pai.”

“Meu pai merecia”


Por sua vez, Eugene Chaplin também parecia satisfeito. “Esta casa, que me lembrará sempre a visão de meu pai e de minha mãe juntos, está abandonada e fico contente que ela reviva. Meu pai merecia isso e o projeto é muito inovador. Espero que o nome mude porque o termo “Chaplin’s World” é um clichê e esse não é o objetivo.”

Se não houver oposições ou algum acontecimento inesperado, Philippe Meylan e Yves Durand se dizem confiantes de que o museu ganhe forma, de uma maneira ou outra, em um futuro próximo. “Assim que obtivermos a permissão para construir, poderemos garantir que esse projeto vai sair”, diz Philippe Meylan.

Isabelle Eichenberger, swissinfo.ch
(Adaptação: Claudinê Gonçalves)

Fonte: swissinfo.ch